Um dia para recordar


Jesus Pregando na Sinagoga no sábado

Em seu cativeiro, os israelitas até certo ponto tinham perdido o conhecimento da lei de Deus, e haviam-se afastado de seus preceitos. O sábado tinha sido geralmente desrespeitado, e as cobranças dos maiorais de tarefas tornaram sua observância aparentemente impossível. Mas Moisés mostrara a seu povo que a obediência a Deus era a primeira condição de livramento; e os esforços feitos para restaurar a observância do sábado vieram a ser notados pelos seus opressores.

Deus prometera ser o seu Deus e tomá-los para Si como um povo após a milagrosa libertação do cativeiro egípcio. O suprimento de provisões começara agora a diminuir. Como se deveria suprir o alimento para aquelas vastas multidões? Dúvidas enchiam o coração deles, e de novo murmuraram. Mesmo os príncipes e anciãos do povo se uniram nas queixas contra aqueles dirigentes que tinham sido designados por Deus. Não haviam, até aquele momento, sofrido fome; suas necessidades presentes eram supridas, mas temiam pelo futuro.

Deus não Se esquecia das necessidades de Israel. Disse a seu guia: “Eis que vos farei chover pão dos céus.” E foram dadas instruções para que o povo apanhasse uma porção para cada dia, e porção dupla no sexto dia, para que se pudesse manter a sagrada observância do sábado. Pela manhã, jazia na superfície do solo “uma coisa miúda, redonda; miúda como a geada”. “Era como semente de coentro branco.” O povo chamou-o maná. Disse Moisés: “Este é o pão que o Senhor vos deu para comer” (Êxodo 16:14, 15 e 31).

Foi-lhes determinado que apanhassem diariamente um gômer [aproximadamente três litros] para cada pessoa; e dele não deveriam deixar para a manhã seguinte. Alguns tentaram guardar uma porção até o dia seguinte, mas achou-se então estar impróprio para alimento. No sexto dia, o povo colhia dois gômeres para cada pessoa. “Isto é o que o Senhor tem dito: Amanhã é repouso, o santo sábado do Senhor: o que quiserdes cozer no forno, cozei-o, o que quiserdes cozer em água, cozei-o em água; e tudo o que sobejar, ponde em guarda até amanhã.” Assim fizeram, e acharam que ficara inalterado. E Moisés disse: “Comei-o hoje, porquanto hoje é o sábado do Senhor; hoje não o achareis no campo. Seis dias o colhereis, mas o sétimo dia é o sábado; nele não haverá” (Êxodo 16:23, 25 e 26).

Maná – Cada semana, durante sua longa peregrinação no deserto, os israelitas testemunharam um tríplice milagre, destinado a impressionar-lhes o espírito com a santidade do sábado: uma dobrada quantidade de maná caía no sexto dia, nada caía no sétimo, e a porção necessária para o sábado conservava-se fresca e pura, enquanto qualquer quantidade que se deixava de um dia para outro, em outra ocasião, se tornava imprópria para o uso.

Deus queria transformar a ocasião em que falaria a Sua lei numa cena de terrível grandeza, à altura do exaltado caráter da mesma. O povo deveria receber a impressão de que todas as coisas ligadas ao serviço de Deus, deviam ser consideradas com a maior reverência. O Senhor disse a Moisés: “Vai ao povo, e santifica-os hoje e amanhã, e lavem eles os seus vestidos; e estejam prontos para o terceiro dia; porquanto no terceiro dia o Senhor descerá diante dos olhos de todo o povo sobre o Monte Sinai.” Durante esses dias intermediários, todos deviam ocupar o tempo em preparação solene para comparecer perante Deus.

A preparação fora feita, conforme o mandado; e, em obediência a outra ordem, Moisés determinou que fosse colocado um obstáculo em redor do monte, para que nem homem nem animal pudesse entrar no recinto sagrado. Se algum se arriscasse a tão-somente tocá-lo, o castigo seria a morte instantânea. Na manhã do terceiro dia, volvendo-se os olhares de todo o povo para o monte, o cimo deste estava coberto de uma nuvem densa, que se tornou mais negra e compacta, descendo até que toda a montanha foi envolta em trevas e terrível mistério. Então se ouviu um som como de trombeta, convocando o povo para encontrar-se com Deus; e Moisés guiou-os ao pé da montanha. Da espessa escuridão faiscavam vívidos relâmpagos, enquanto os ribombos do trovão ecoavam e tornavam a ecoar por entre as montanhas circunvizinhas. “E todo o Monte de Sinai fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em fogo, e todo o monte tremia grandemente.” Tão terríveis eram os sinais da presença de Jeová que as hostes de Israel tremeram de medo, e caíram prostradas perante o Senhor.

E então cessaram os trovões; não mais se ouviu a trombeta; a terra ficou calada. Houve um tempo de solene silêncio, e então se ouviu a voz de Deus. Falando da espessa escuridão que O envolvia, estando Ele sobre o monte, rodeado de um acompanhamento de anjos, o Senhor deu a conhecer a Sua lei. Jeová revelou-Se não somente na terrível majestade de juiz e legislador, mas como um compassivo guarda de Seu povo: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão” (Êxodo 20). Esse era o que agora falava a Sua lei.

Decálogo – Como símbolo da autoridade de Deus, e incorporação de Sua vontade, foi entregue a Moisés uma cópia do Decálogo gravada pelo dedo do próprio Deus em duas tábuas de pedra (Deuteronômio 9:10; Êxodo 32:15 e 16), para que, de maneira sagrada, fosse colocada no santuário, o qual, depois de construído, deveria ser o centro visível do culto da nação.

A lei não fora proferida naquela ocasião exclusivamente para o benefício dos hebreus. Deus os honrou, fazendo deles os guardas e conservadores de Sua lei, mas esta deveria ser considerada como um depósito sagrado para todo o mundo. Os preceitos do Decálogo são adaptados a toda a humanidade, e foram dados para a instrução e governo de todos. Dez preceitos breves, compreensivos, e dotados de autoridade, abrangem os deveres do homem para com Deus e seus semelhantes; e todos baseados no grande princípio fundamental do amor.

O sábado não é apresentado como uma nova instituição, mas como havendo sido estabelecido na criação. Deve ser lembrado e observado como a memória da obra do Criador. Apontando para Deus como Aquele que fez os céus e a Terra, distingue o verdadeiro Deus de todos os falsos deuses. Todos os que guardam o sétimo dia, dão a entender por este ato que são adoradores de Jeová. Assim, o sábado é o sinal de submissão a Deus por parte do homem, enquanto houver alguém na Terra para O servir. O quarto mandamento é o único de todos os dez em que se encontra tanto o nome como o título do Legislador. É o único que mostra pela autoridade de quem é dada a lei. Assim contém o selo de Deus, afixado à Sua lei, como prova da autenticidade e vigência da mesma.

Era propósito do Senhor que pela fiel observância do mandamento do sábado, Israel fosse continuamente lembrado de sua responsabilidade perante Ele como seu Criador e seu Redentor. Enquanto guardassem o sábado no devido espírito, a idolatria não poderia existir; mas se as exigências deste preceito do decálogo fossem postas de lado como não mais vigentes, o Criador seria esquecido e os homens adorariam a outros deuses.

Nenhuma outra das instituições dadas aos judeus tinha o objetivo de distingui-los tão completamente das nações circunvizinhas, como o sábado. Era intenção do Senhor que sua observância os designasse como adoradores Seus. Seria um sinal de sua separação da idolatria, e ligação com o verdadeiro Deus. Mas a fim de santificar o sábado, os homens precisam ser eles próprios santos. Devem, pela fé, tornar-se participantes da justiça de Cristo. Quando foi dado a Israel o mandamento: “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar” (Êxodo 20:8), o Senhor lhes disse também: “E ser-Me-eis homens santos” (Êxodo 22:31). Só assim o sábado poderia distinguir a Israel como os adoradores de Deus.

Quando os judeus se apartaram do Senhor e deixaram de tornar a justiça de Cristo sua pela fé, o sábado perdeu para eles sua significação. Satanás estava procurando exaltar-se e afastar os homens de Cristo, e trabalhou para perverter o sábado, pois é o sinal do poder de Cristo.

Santidade – Numa ocasião, por ordem do Senhor, o profeta se pôs numa das principais entradas da cidade, e aí apelou para a importância da santificação do sábado. Os habitantes de Jerusalém estavam em perigo de perder de vista a santidade do sábado, e foram solenemente advertidos contra o seguir seus interesses seculares nesse dia. “Se diligentemente Me ouvirdes”, o Senhor declarou, “e santificardes o dia de sábado, não fazendo nele obra alguma, então entrarão pelas portas desta cidade reis e príncipes, assentados sobre o trono de Davi, andando em carros e montados em cavalos, eles e seus príncipes, os homens de Judá, e os moradores de Jerusalém; e esta cidade será para sempre habitada” (Jeremias 17:24 e 25).

Esta promessa de prosperidade como recompensa de obediência foi acompanhada por uma profecia de terríveis juízos que cairiam sobre a cidade, caso seus habitantes fossem desleais a Deus e Sua lei. Se as admoestações para obediência ao Senhor Deus de seus pais e a santificação de Seu dia de sábado não fossem atendidas, a cidade e seus palácios seriam totalmente destruídos pelo fogo. Mas o chamado ao arrependimento e reforma não foi atendido pela grande massa do povo.

“Por isso, o Senhor fez subir contra ele o rei dos caldeus… Os que escaparam da espada, a esses levou ele para a Babilônia, onde se tornaram seus servos… até ao tempo do reino da Pérsia; para que se cumprisse a palavra do Senhor, por boca de Jeremias…” II Crônicas 36:17, 20 e 21. (Ver Jeremias 25:9-12.).

Referências:
1. Patriarcas e Profetas, pág. 258.
2. Ibidem, pág. 292.
3. Ibidem, pág. 294.
4. Ibidem, págs. 295 e 296.
5. Ibidem, págs. 303 e 304.
6. Ibidem, pág. 305.
7. Ibidem, pág. 314.
8. Ibidem, pág. 305.
9. Ibidem, pág. 307.
10. Profetas e Reis, pág. 182.
11. O Desejado de Todas as Nações, págs. 283 e 284.
12. Profetas e Reis, págs. 411 e 412.

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