A presença de Deus não depende do lugar


[O Senhor] conduziu com alegria o Seu povo e, com jubiloso canto, os Seus escolhidos. Salmo 105:43

Numa das minhas viagens missionárias, acompanhado pelo pastor Altamir de Paiva, deveríamos visitar algumas famílias de lavradores que viviam numa localidade rural chamada Confins, no estado de Minas Gerais. Com a rural Willys da Missão, saímos de Brasília em direção do município de Cabeceiras, Goiás, para logo mais entrarmos no estado mineiro, e viajar várias horas por caminhos precários de um cerrado bastante arenoso.

À certa distância, percebemos dois carros de boi vindo em nossa direção, ringindo e “cantando”, cena típica do sertão. Ao nos aproximar, o pastor Altamir os reconheceu: “São irmãos nossos!” Eles estavam de mudança. Foi um encontro agradável e alegre.

Então, chegou um irmão a cavalo que vinha pelo mesmo caminho que nós fazíamos. Ele nos disse: “Depois que vocês passaram, eu vi rastro de onça em cima do rastro dos pneus do carro.”

Como já eram quatro horas da tarde, não seguimos viagem. Realizaríamos o batismo e a santa ceia ali mesmo, no dia seguinte.

Jantamos. Em seguida fizemos um culto sob um céu divinamente estrelado. Cantamos, oramos, pregamos a Palavra e logo todos nos acomodamos: alguns sobre os carros de boi, outros embaixo. Eu e o pastor que me acompanhava fomos dentro da Rural Willys. O silêncio tomou conta do sertão!

Bem cedo, despertamos sob os cantos das aves do cerrado: araras, papagaios, periquitos, seriemas e tantas outras!

Tomamos o desjejum e nos acomodamos debaixo das árvores para o culto e os preparativos para o batismo e a santa ceia. Bem próximo, passava um riacho de águas claras. Ali batizamos quatro juvenis, filhos daquelas famílias. Em seguida, realizamos a santa ceia. Que momentos inesquecíveis! Tivemos a nítida sensação de que os anjos de Deus, na penumbra do invisível, estavam presentes. No meio daquele sertão, nós nos encontramos realmente com Deus!

Tudo terminado! Despedimo-nos fraternalmente e com muita alegria no coração. Eles seguiram viagem rumo ao seu destino e nós, ao nosso.

A realidade da presença de Deus não depende do lugar em que estamos, mas do espírito dos adoradores e da determinação de permitir que o Senhor sempre fique diante de nós, seja numa catedral de cristal ou num templo campesino como foi no nosso caso.

REFLEXÃO: “Os que esperam no Senhor renovam as suas forças, […] caminham e não se fatigam” (Is 40:31).

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