Soldados Invadem a Igreja


 

Soldados

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Confia os teus cuidados ao Senhor, e Ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado. Salmo 55:22

Faziam divisa com a fazenda de meu pai as terras do senhor F.M., nada simpático aos protestantes. Essa era uma época de acérrimo antagonismo e preconceito religioso. Vivia também na região um religioso chamado Júlio Maria, perseguidor implacável dos evangélicos, em especial dos adventistas do sétimo dia e de meu pai, por não poupá-lo por causa de suas investidas contra os ensinamentos da Bíblia, entre os quais a guarda do sábado. Era o auge da intolerância religiosa em toda aquela região comandada por esse ensinador. Ele chegou a escrever um livro, intitulado O Anjo das Trevas, referindo-se a todos os evangélicos. Alguém, comentando esse livro, o intitulou de O Catecismo da Intolerância.

Em 1932, em plena época da Revolução, F.M., à frente de um grupo de soldados, comandou a invasão da humilde igrejinha adventista situada em nossa fazenda, com denúncia de subversão. Chegaram armados com fuzis e metralhadoras “para prender todo mundo”, diziam eles.

Nada encontrando que incriminasse a igreja, os soldados ficaram desapontados e se retiraram juntamente com o dito fazendeiro. Concluímos depois que a própria pessoa a quem buscavam era meu pai. Aconteceu que, no dia anterior, ele havia sido internado no hospital de Carangola, interior de Minas, para a retirada de um espinho no pé, e não foi encontrado pelos soldados.

Certamente, quem estava por trás de toda essa agressão era Júlio Maria, que veio a falecer anos mais tarde num trágico desastre. Após sua morte, cessaram as perseguições.

Muitas vezes, não entendemos por que certas coisas acontecem. Agora, posso ver naquele pequeno acidente com meu pai uma bênção disfarçada. “Deus tem seus caminhos na tormenta!”

No local da antiga igreja, no mesmo lugar da invasão, tempos depois foi erigido um lindo templo, do qual saíram todas as igrejas adventistas da região. Há vários anos, nessa igreja, atua como diácono Oliveira, um neto direto do invasor F.M. Os caminhos do Senhor não são os nossos caminhos. Louvado seja Deus pelos resultados dos esforços humanos aliados ao Seu poder! – EGS

REFLEXÃO: “Preserva-me a vida do terror do inimigo […] O justo se alegra no Senhor, e nEle confia” (Sl 64:1, 10).

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