Por que Não Agora?


Na morte, não há recordação de Ti; no sepulcro, quem Te dará louvor? Salmo 6:5

Jesus venceu a morte para nos dar vida!

As flores tornam mais suportável a câmara mortuária. A frieza da morte, o luto e o pranto cobrem-se de delicados matizes que alentam os corações entristecidos.

Certa ocasião, eu estava num cemitério em Dia de Finados. Ao observar todo aquele movimento, pensei: é possível que alguns dos que aqui estão sepultados nunca tiveram o calor da amizade, do amor e admiração, mas, hoje, recebem flores e até lágrimas.

Todos apreciamos essas manifestações de solidariedade, mas temos que convir que, em alguns casos, elas não passam de reparações póstumas e tardias do pouco apreço que tiveram em vida aqueles que já se foram. Fossem abertos os olhos de alguns para lerem certos corações, e veriam as surdas agonias de pessoas a reclamarem pelo olhar e, em silêncio, por simpatia, reconhecimento e amor. Quem sabe, até um ramalhete de bonitas flores – por que não? – poderia lhes dar alegria, tornando-as mais felizes.

Vi pelo noticiário da televisão, num dia de Natal, um repórter entrevistando alguns idosos, homens e mulheres, que aguardaram ansiosos o dia todo, no portão de um asilo, a visita de algum parente para desejar-lhes boas-festas. E o repórter perguntou a uma senhora bem idosa, de distinta aparência: “A quem a senhora estava esperando?” Ela respondeu: “Minha filha.” “E, ela veio?” A resposta foi um pranto convulsivo, sem palavras.

A melhor coisa é demonstrar amor e apreço pelas pessoas enquanto estão vivas, pois só assim elas poderão apreciar nosso gesto de amizade e consideração. Quando alguém jaz inerte dentro de um ataúde sob os olhares compungidos de amigos e parentes, todos ficam sabendo, menos aquele que agora nada ouve e nada vê, sobre os elogios a respeito de suas virtudes e boas qualidades.

Uma palavra dita, em ocasião apropriada e com sinceridade, a um pai, mãe, esposo, esposa, filhos ou a qualquer outro membro da família ou irmão de fé, enquanto vivos, comunica alegria, satisfação, saúde e felicidade. “Muitos anseiam intensamente por amizade e simpatia […] Devemos ser abnegados […] procurando ocasião de alegrar a outros e aliviar-lhes as tristezas por atos de amável bondade e pequenos atos de amor. Esses atenciosos atos de cortesia […] ajudam na soma do que faz feliz a vida” (Ellen G. White, O Lar Adventista, p. 428).

REFLEXÃO: “A palavra proferida a seu tempo é como maçãs de ouro em cestos de prata” (Pv 25:11, TB).

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