Seria Errado ser Injusto?


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Imagine a cena. Com um caminhar trôpego e arrastante pela poeirenta estrada, aquele coitado se lança légua após légua. Ele está vestido em roupas esfarrapadas, cujas cores dão lugar à estampa da sujeira. Seus cabelos e barbas amarelados e ressecados resistem ao próprio vento. Como grossas lixas, suas mãos seguram uma velha trouxinha. Seus pés estão feridos e sangrando devido o contato direto com as pedras durante os quilométricos dias da viajem. Com as costas encurvadas e o olhar cabisbaixo, reluta em desistir por estar com a consciência massacrada aos ecos de suas ingratas transgressões…

Quando você lê uma história, gosta de identificar-se com as personagens, o enredo ou algum episódio específico? Como você gosta de ser relacionado com a narrativa que lê? Quero convidar-lhe a ler uma história. Vamos descobrir o quanto esta parábola tem a ver comigo e com você. Leia, em sua Bíblia, o relato de Lucas 15:11-32.

Começa assim: Certo homem tinha dois filhos; o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe. E ele lhes repartiu os haveres. Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente. Lucas 15:11-13.

O filho mais novo estava cansado das regras da casa paterna. Não entendia direito o amor e cuidado do pai, então resolveu seguir o parecer dos seus próprios desejos. Apesar de não reconhecer qualquer gratidão ou obrigação para com o pai, julgava-se no direito dos privilégios da herança. Fez esta cobrança do pai ainda em vida. Em seu ato de desconsideração, declarava que, para ele, o pai não passava de um morto. Pensava só na alegria presente, e não se preocupava com o futuro.

Após receber o patrimônio, o jovem saiu de casa para uma terra distante. Ele tinha muito dinheiro para gastar como bem entendia. Achava o máximo, ter alcançado o desejo de seu coração. Não havia mais proibições. Influenciado por “amigos”, foi se afundando no pecado e dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente.

A fazenda que de forma egoísta pedira de seu pai, desperdiçou com prostitutas. Os tesouros de sua juventude foram esbanjados. Os preciosos anos de vida, a força do intelecto, as brilhantes visões da mocidade, as aspirações espirituais – tudo foi consumido no fogo do prazer(Parábolas de Jesus (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, s/d), “A Reabilitação do Homem”).

A falência daquele rapaz coincidiu com a chegada de uma grande crise na região. Transformado em mendigo, chegou a ter desejo de comer a lavagem dos porcos do chiqueiro, que passou também a ser seu lugar. Esta situação humilhante era a pior figura de maldição, degradação e vileza que um judeu conhecia.

De “senhor da liberdade” a escravo, de rico a indigente, de próspero a desprezado, aquele homem era a figura mais expressiva do “vice-treco-do-sub-nada”. Física, social, mental e espiritualmente, um trapo humano.
Sem nome, recursos, esperança ou apoio algum, o rapaz possuía duas opções. A primeira seria conformar-se com sua eterna miséria. A segunda alternativa foi sua escolha: apesar de ter desrespeitado e sepultado seu pai e de ter pecado, e pecado, e pecado, e de ter ido até ao fundo do poço, ter a cara de pau de suplicar-lhe misericórdia. Que desgraça!

Caindo em si, ele pensou: “Quantos trabalhadores do meu pai têm comida de sobra, e eu estou aqui morrendo de fome! Vou voltar para a casa do meu pai e dizer… (Lucas 15:17 e 18 – NTLH).
A experiência deste filho pródigo é um exemplo perfeito de nossa situação como pecadores e o que pode nos ocorrer.

O Filho Pródigo

Todo Ser Humano

Tinha um pai

Lucas 15:11 e 12

Temos um Pai, que é Deus

João 8:41

Desprezou o apoio do pai

Lucas 15: 12 e 13

Desprezamos o Pai

Romanos 1:28

Separou-se do pai

Lucas 15:13

Nos separamos do Pai

Isaías 59:2

Decidiu viver dissolutamente

Lucas 15:13

Estamos entregues à dissolução

Romanos 1:18 a 32

Passou extrema necessidade

Lucas 15:14-16

Todos pecamos e carecemos da glória de Deus

Romanos 3:23

Tornou-se escravo

Lucas 15:15 e 16

Todo o que comete pecado é escravo do pecado

João 8:34

Sentiu sua miséria

Lucas 15:17

Somos miseráveis

Romanos 7:18-24

Sabia que era pecador

Lucas 15:18

Pecamos, como nossos pais; cometemos iniqüidade, procedemos mal

Salmo 106:6

Reconheceu sua indignidade

Lucas 15:19

Somos todos indignos

Romanos 3:9 e 10

 

Era impossível àquele rapaz pagar a dívida que tinha para com o pai. Nada que ele fizesse poderia justificá-lo de seus erros. Não é possível ao ser humano ser justo diante de Deus por suas ações, pois o homem não é justificado por obras da lei (Gálatas 2:16). O rapaz indigno de nossa história fez o que todo ser humano deveria fazer para alcançar o favor do Pai. Ele simplesmente acreditou. Fez como Abraão. Não foi justificado por suas obras, mas porque creu. Pois que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça (Romanos 4:3 e 5; Gálatas 3:6; Tiago 2:23; cf. Gênesis 15:6).

Que Gracinha!

Maltrapilho, sorumbático e macambúzio, o filho está se aproximando da sede da fazenda. O momento é assustador, pois acontece algo que estava fora de suas previsões. O seu pai está correndo ao seu encontro, sem intermediação, nem hora marcada. Será que ele vem para dar-lhe um xingão e ordenar que dê meia-volta? Não! A Bíblia fala que, movido de íntima compaixão, o pai correu, e o abraçou, e beijou (Lucas 15:20 BLH)!“Ô loco” – o rapaz deve ter pensado – “ele não vai agüentar, estou fedendo a chiqueiro!”

Veja o que aconteceu ao jovem de nossa história. A Bíblia diz que, após ter ensaiado o que iria dizer, levantando-se, foi para seu pai (Lucas 15:20). Mas o que me chama atenção é a diferença entre o que o rapaz planejou dizer ao pai e o que ele realmente disse:

Discurso planejado

O que ele realmente disse

Verso 18

Pai, pequei contra o céu e diante de ti;

Verso 21a

Pai, pequei contra o céu e diante de ti;

Verso 19a

já não sou digno de ser chamado teu filho;

Verso 21b

já não sou digno de ser chamado teu filho;

Verso 19b

trata-me como um dos teus trabalhadores.

Verso ?

?

Percebe? Ele não perde a oportunidade e começa o seu discurso, dizendo que era pecador e indigno. Nisto ele estava certo. O equívoco estava na próxima parte de seu planejado discurso, devido à incompreensão que tinha do amor do pai. Tal amor abafou sua mísera condição, e tal discurso jamais foi dito. Quando o filho ia abrir a boca para pedir para ser um escravo, levou uma “cortada” com dois significativos presentes:

“O pai lhe restitui os símbolos da sua condição de filho: o anel, sinal de autoridade e as sandálias, sinal de homem livre, pois os escravos andavam descalços. O pai não quis conversa. Ele aceitou o filho, apesar de indigno, como filho. O jovem foi justificado de suas ações através da confiança que colocou no pai.

Como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece dos que o temem. – Salmo 103:13

Isto é ter fé que Deus nos aceita, apesar de nós mesmos. Resultou que isso lhe foi “também imputado para justiça. E não somente por causa dele está escrito que lhe foi levado em conta, mas também por nossa causa, posto que a nós igualmente nos será imputado, a saber, a nós que cremos naquele que ressuscitou dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação (Romanos 4:25)”. Se cremos em Jesus, Sua justiça nos é creditada. Nunca seremos salvos pela nossa justiça (Isaías 64:6).

“Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida (Romanos 5:8-10)”.

Apesar de não termos justiça própria alguma, pelo sangue de Jesus somos considerados como sendo justos. Ao crermos e, pela fé aceitarmos nossa justificação, somos declarados justos aos olhos de Deus. Deus aceitou o sacrifício de Seu Filho, por isso somos também, pela justiça de Jesus, aceitos.

“Sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus (Romanos 3:24-26)”.

Você pode ser justificado livremente pela misericórdia de Deus. Todos os pecadores são responsáveis por suas transgressões, mas os que crêem em Cristo são aceitos como se nunca tivessem pecado: “justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo (Romanos 5:1)”.

Injustiça?

Um soldado do exército imperial estava condenado a morrer. A mãe daquele oficial, em lágrimas, aos pés do imperador, rogou-lhe para que seu filho fosse perdoado. Napoleão Bonaparte de pronto negou, porque se tratava de um reincidente, e era por isto que a justiça exigia a execução do réu.

Desesperada, a mãe tentou argumentar dizendo-lhe: “Mas eu não estou pedindo justiça para o meu filho, ó grande. O que peço é misericórdia, senhor, misericórdia!”

O monarca replicou: “Ele não merece misericórdia”.

Ela, porém insistiu suplicando: “Sim senhor, disto eu sei. Se ele a merecesse, não seria misericórdia, seria justiça”.

Esta verdade tocou o coração do imperador e ele respondeu: “Concederei a seu filho, a minha misericórdia”.
“Se tu tivesses feito uma lista dos nossos pecados, quem escaparia da condenação? Mas tu nos perdoas, e por isso nós te tememos… ponha a sua esperança no Deus Eterno porque o seu amor é fiel, e ele sempre está disposto a salvar (Salmo 130:3-7 – BLH)”. Apenas confesse seus pecados a Deus, pois “se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça (1 João 1:9)”. A obra de Jesus, consumada na cruz, satisfez plenamente a justiça de Deus. Se você aceitá-la, alcançará misericórdia e perdão. “Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (Romanos 5:6-8)”.

Resumindo, justificação pela fé é isto: em Seu infinito amor e misericórdia, Deus fez a Jesus “pecado por nós; para que, nEle, fôssemos feitos justiça de Deus (2 Coríntios 5:21) . Através da fé em Cristo, os corações são preenchidos pelo Espírito Santo. Por meio dessa mesma fé, dom da graça de Deus (Romanos 12:3; Efésios 2:8), os pecadores arrependidos são considerados justos (Romanos 3:28).

Seria errado ser injusto?

Um abraço,

Pr. Valdeci Jr.

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