Criacionista é destaque em olimpíada de química


Walter - União AdventistaOlimpíadas fazem parte do cotidiano de muitos jovens do ensino médio. Química, física, matemática e biologia são as que mais se destacam. Porém, a maior parte dessas olimpíadas ocorre aos sábados. Como um adventista poderia participar de uma olimpíada dessas? Existe a possibilidade, porém, é complicado o aluno fazer a prova após o sábado. A mudança do dia da prova é algo que praticamente não pode ser feito. O PortalJA entrevistou Walter Collyer Braga, adventista, que terminou o ensino médio no ano passado. Walter desde sua sexta série (atual sétimo ano) teve contato com olimpíadas de química. O garoto muito inteligente, esforçado, nunca abandonou seus princípios religiosos, sobretudo a guarda do sábado.

Walter participou de várias olimpíadas estaduais, brasileiras, ibero-americana e em 2008 foi um dos quatro brasileiros selecionados a ir para a International Chemistry Olympiad (IchO) (Olimpíada Internacional de Química), na Hungria. Para garantir uma vaga na equipe, os quatro estudantes percorreram longo caminho na Olimpíada Brasileira de Química: participaram de seletivas realizadas em seis fases, as três primeiras iniciadas em 2007 e as fases finais no primeiro semestre de 2008; uma delas avaliou conhecimentos de técnicas de laboratório. Os 15 estudantes mais bem colocados nessa série de avaliações se deslocaram para Teresina e, durante 15 dias, participaram de cursos e discussão com professores do Curso de Mestrado em Química da UFPI. Após essa etapa, foram escolhidos os quatro representantes brasileiros na 40º IchO na Hungria. Hoje Walter, calouro do curso de Medicina na Universidade Federal do Ceará, sente-se com a consciência tranquila por nunca ter transgredido o quarto mandamento. Como Walter conseguiu tudo isso?

Você é adventista há quanto tempo?

Desde criança.

Como foi seu contato com as olímpiadas? Sempre gostou de química?

Foi na minha sexta série, por um clubinho de ciências. Nesse clube passavam aulas de química, eu não tinha nem sido chamado para fazer, falei com o coordenador e ele deixou eu fazer. No ano seguinte é que começaram realmente as olimpíadas. Sempre gostei de química.

Como você conseguiu participar da olimpíada pela primeira vez sem ser no sábado?

Foi a OCQ, ela seria num sábado e eu não tinha muitas esperanças para fazer, pois era no sábado e as organizadoras era muito rígidas. Eu falei com o coordenador e ele me perguntou como eu tinha ido na outra olimpíada. Eu disse que não tinha passado, e o coordenador fez cara de desânimo. Mas, mesmo assim, ele falou que ia me inscrever na cearense e, caso eu quisesse fazer no sábado, eu ia. Eu deixei em aberto e perguntei se haveria como mudar o dia da prova ou outro jeito de eu ir. E o coordenador disse que iria perguntar à coordenadora. A partir desse dia, todos os dias eu ia perguntar ao coordenador se ele tinha conseguido falar com a coordenadora. Até que numa quarta-feira antes da prova do sábado, ele falou comigo e disse que eu e mais três adventistas iriam realizar a prova, só que depois do pôr-do-sol.

Teve até uma coordenadora que ficou com muita raiva, mas como a coordenadora chefe disse que poderíamos fazer, então, nós fizemos a prova. Porém, ela tinha dito que no outro ano nós não poderíamos fazer. Nessa prova, fiquei em primeiro lugar, graças a Deus.

Ao seus colegas observarem que você não fazia a prova com eles, o que eles disseram?

Eles brincavam muito com a minha cara. Porém, entendiam. Alguns até falavam que iam virar adventista também, brincando.

Em algum desses momentos você pensou em desistir de guardar o sábado?

Não. Eu pensava numa olimpíada futura (internacional ou ibero), o que os outros pensariam de mim se eu não fizesse a prova no sábado. Eu vi que não valeria a pena deixar de guardar o sábado por causa de uma prova, mesmo ela sendo bem importante e bem significativa

Teve algum professor seu que o desestimulou ao saber que você era um guardador do sábado?

Não. Todos eles ficavam surpresos e apreensivos por cada olimpíada que aconteceria em um sábado, porém, graças a Deus, eu me dava bem.

Você se sentiu desestimulado?

Não. Sempre tive esperanças de que sempre iria conseguir fazer todas as olimpíadas e que iria dar certo. Era aí que eu estudava mais para provar para os outros que eu era capaz.

A prova ibero-americana foi marcada para o sábado. Como você contornou essa situação?

Nós estávamos na UFC assistindo aula e eu não sabia quando iria acontecer a prova. Comecei a procurar o site da olimpíada na internet, e a primeira coisa que eu ia ver foi a data. Essas olimpíadas internacionais sempre têm uma prova prática e outra teórica, em dias alternados. E eu mandei logo um e-mail para o coordenador dizendo que se a prova fosse no sábado eu não iria. Ele me respondeu e disse que seria quase impossível eu fazer, pois os horários eram muito rígidos, mas ele iria fazer o possível. Segundo o coordenador, nunca tinha acontecido esse fato com ele. Passou um tempo e ele pediu para que eu fizesse uma carta explicando os meus princípios e enviar para a coordenadora geral da olimpíada. Essa carta iria para todos os coordenadores dos países. E cada coordenador desses iria dar sua opinião. No fim a coordenadora geral aceitou que eu fizesse a prova.

Porém, nessa olimpíada uma prova prática iria cair na sexta e a outra no sábado. Houve até um fato interessante que nesse dia na Costa Rica houve uns furacões que destruíram as estradas e eu e os outros estudantes ficamos presos no hotel. Nós começamos a fazer a prova às 14h e terminaria às 18h. Eu corri e terminei a prova antes do pôr-do-sol.

Em algum desses momentos você pôde falar do amor de Deus pra eles?

Às vezes, algum professor achava besteira em relação ao sábado, mas que respeitava. Mas eu sempre achei que era importante e que era princípio, e fazendo isso eu estaria provando que tenho respeito e amor a Deus.

Ao ir para o Mundial de Química, em algum momento você teve que não guardar o sábado?

Não. A olimpíada durou 11 dias, mas as provas foram realizadas numa terça e numa quinta, pela manhã.

Após ter tido todos esses resultados, como se sente? Missão cumprida?

Sim, sim… Pra quem começou “brigando” por fazer uma olimpíada e chegar a uma internacional, para mim foi muito bom. Eu cheguei até a fazer provas e terminar meia-noite e meia… E chegar a uma mundial e ganhar uma medalha, para mim foi trabalho cumprido.

E o que voce acha do futuro das olimpíadas e provas que ocorrem aos sábados?

Este ano já houve a reunião da cearense e já foi barrado; nenhum adventista pode fazer, a menos que faça no sábado. Mas em relação à brasileira, ainda está sendo respeitado. E na ibero houve uma reunião para nunca mais ter provas aos sábados.

Que mensagem você deixa para os que estão lendo esta entrevista?

Que guardem o sábado. O sábado não causa empecilho a ninguém. Há como você conciliar, e mesmo que tenha aulas aos sábados, não vá, pois dá para ter seu estudo íntegro sem falhas e alcançar seu objetivo de uma universidade ou de uma olimpíada, ou algo do tipo.

(Portal JA)

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