Os “leões” do Rei com o pé na cova…


daniel na cova dos leoes

É naturalmente surpreendente o fim que tiveram os homens que tramaram contra Daniel e o rei Dario na questão da cova dos leões. Alguém pode legitimamente argumentar que o desfecho dessa história é trágico e sanguinário. A Bíblia diz que quando Dario se deparou com o poder estarrecedor do Deus de Israel, imediatamente “ordenou o rei, e foram trazidos aqueles homens que tinham acusado a Daniel, e foram lançados na cova dos leões, eles, seus filhos e suas mulheres; e ainda não tinham chegado ao fundo da cova quando os leões se apoderaram deles, e lhes esmigalharam todos os ossos”.
 
Primeiro não é preciso muito esforço para entender que a ideia de jogar essas pessoas partiu do rei e não de Daniel. É claro que ao fazer isso, o rei pretendia dar um testemunho poderoso e, digamos, persuasivo a favor de Daniel e de seu Deus. Mas, não era só isso. O rei também foi envolvido na trama, e inclusive enganado. Quando Medo-Pérsia dominou Babilônia, Dario passou a atuar como rei da província de Babilônia, enquanto o general Ciro (falaremos muito nele nos próximo estudos) era o chefe do Grande Império. Era uma divisão parecida com aquela entre Nabonidus e Belsazar, vista em detalhes quando estudamos o capítulo 5. A primeira medida de Dario, o medo, segundo a Bíblia foi essa: “E pareceu bem a Dario constituir sobre o reino cento e vinte príncipes, que estivessem sobre todo o reino; E sobre eles três presidentes, dos quais Daniel era um, aos quais estes príncipes dessem conta, para que o rei não sofresse dano”. Assim, logo no primeiro ano de Dario como rei, Daniel já foi elevado a uma posição privilegiada, e consequentemente invejada na corte. Para piorar as coisas, o rei gostou tanto de Daniel, ao ponto em que a bíblia informa que o profeta “sobrepujou a estes presidentes e príncipes; porque nele havia um espírito excelente; e o rei pensava constituí-lo sobre todo o reino”.
 
Por esse motivo, alguns desses nobres começaram a planejar uma maneira de diminuir a importância de Daniel junto ao rei, e aí já podemos entender porque  o fim deles foi tão cruel. Numa leitura superficial, tendemos a imaginar que todos os principes conspiraram contra o chefe de estado, mas a Bíblia não afirma isso. E nem seria muito lógico imaginar 122 pessoas se reunindo secretamente para tramar contra o rei e seu primeiro-ministro e nenhum dos dois perceber. Da mesma forma normalmente pensamos que todos os 122 e suas famílias foram mortos pelos leões. Mas a Bíblia simplesmente diz que “aqueles homens que tinham acusado a Daniel” é que foram jogados na cova.
 
Partindo disso, outro detalhe normalmente ignorado se torna claro. Esses homens mentiram ao rei para que ele concordasse em assinar o decreto. Eles disseram ao rei que “Todos os presidentes do reino, os capitães e príncipes, conselheiros e governadores, concordaram em promulgar um edito real e confirmar a proibição que qualquer que, por espaço de trinta dias, fizer uma petição a qualquer deus, ou a qualquer homem, e não a ti, ó rei, seja lançado na cova dos leões”. Todos os presidentes? Daniel também era um dos presidentes, e nesse caso isso seria mentira, mesmo que todos os outros 122 realmente estivessem a par. Daniel era o principal deles, e provavelmente não foi consultado e se fosse não concordaria com tal decreto.
 
A mentira torna-se evidente na maneira cristalina como Ellen White narra a reação do rei diante da acusação fizeram contra Daniel: “Quando o rei ouviu essas palavras, viu de imediato o laço que havia sido armado para o seu fiel servo. Compreendeu que não fora o zelo pela honra e glória real, mas a inveja de Daniel, o que os levara a propor o decreto real. “Penalizado” pela parte que havia desempenhado no mal que se praticara, o rei “até o pôr-do-sol trabalhou” para salvar seu amigo. Os príncipes, prevendo este esforço da parte do rei, vieram a ele com as palavras: “Sabe, ó rei, que é uma lei dos medos e dos persas que nenhum edito ou ordenança, que o rei determine, se pode mudar.” O decreto, embora feito de afogadilho, era inalterável, e devia produzir os seus efeitos. “. Naturalmente, o rei percebeu muito tarde que fora enganado.
 
Os leões do rei estavam cavando a própria cova. E a vida do profeta de Deus foi talvez um último resquício de misericórdia; a última mensagem de reprovação divina, para que aqueles homens abandonassem seus maus caminhos. O Deus que livrou Daniel da Cova dos leões, que livrou Dario de um remorso que lhe seria insuportável, certamente pretendia livrar aqueles nobres invejosos de si mesmos. E que lição para nós. Deus pode nos livrar de tudo, mas não nos livrará de nós mesmos, a não ser que lhe demos permissão. E certamente essa cova do próprio eu é muito mais mortal, muito mais perigosa que qualquer cova com leões, ursos, serpentes. O maior perigo contra a nossa salvação somos nós mesmos.
 
Quando os príncipes investigaram a vida de Daniel, puderam constatar que não havia nada que poderiam usar contra ele. Investigaram tudo, e mesmo sendo seu inimigo, foram obrigados a concluir que ela era impecável. E mesmo assim decidiram tirar-lhe a vida!!!! Um tipo de mesquinharia e crueldade, que nem mesmo entre povos pagãos poderia ser tida como normal. Como rei de um poderoso império, Dario sentiu que não poderia tolerar esse comportamento. Agiu de acordo com sua posição. E como monarca pagão que era, fez o que lhe parecia justo.
 
Diante de tudo isso, a fúria do rei é no mínimo justificável. Mas ainda assim, porque as famílias desses homens foram também mortas?
 
Essa pergunta você pode responder, colaborando para nossa discussão, mas ela será abordada no próximo domingo, no nosso estudo.
 
Não falte.
Grande abraço. 
Daniel Makawetskas

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